Em 23 de julho de 2001, iniciavam-se as atividades do primeiro núcleo do Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural (Cedejor), no território do Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Fruto de uma mobilização capitaneada pelo Instituto Souza Cruz, para a implementação do seu Programa Empreendedorismo do Jovem Rural (PEJR), hoje a respectiva organização não-governamental desenvolve seu trabalho em mais duas regiões (Centro-Sul do Paraná e Encostas da Serra Geral, em Santa Catarina), buscando engajar a juventude num projeto alternativo de desenvolvimento sustentável para o campo brasileiro.
- Foram, até agora, mais de 160 jovens certificados como agentes de desenvolvimento rural. Todos passaram por um longo processo de formação, com base na Pedagogia da Alternância, estimulando suas habilidades gerenciais, técnicas e humanas. E todo esse investimento teve como resultado projetos e iniciativas, individuais ou coletivas, que trouxeram benefícios para famílias, comunidades e os próprios jovens, informa Sérgio Fritzen, atual gerente-executivo do Cedejor.
Os exemplos de protagonismo e empreendedorismo são muitos, em números e tipos. Preservação de matas nativas, proteção de fontes de recursos hídricos, reivindicação de coleta de lixo, criação de creches comunitárias, acesso à informática no meio rural e programas de estímulo à leitura são algumas das iniciativas engendradas pelos jovens que passaram pelas turmas da ONG, que conta, além do Instituto Souza Cruz, com apoio de agentes governamentais dos três níveis federativos, outras ONGs e, inclusive, de um organismo multilateral – o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).
- A articulação com outros atores dos territórios, como as universidades e as instituições de pesquisa e extensão agrícola, tem sido fundamental para o sucesso de nossas ações em prol de um desenvolvimento sustentável para o campo brasileiro. Nessa tarefa audaciosa e difícil, a nossa mensagem diferencial tem sido de que isso só será possível se tivermos a juventude mobilizada, engajada na possibilidade de construir um novo futuro para o meio rural, explica o monitor Adair Pozzebon, do núcleo do Vale do Rio Pardo (RS), que está no Cedejor desde sua fundação.
Para Zeni Ferreira de Oliveira, monitora no território das Encostas da Serra Geral (SC), um dos pilares do trabalho realizado pela ONG está no “espírito de grupo” que paira sobre a equipe. “É impossível não expressar nenhum tipo de sentimento nessa data. Eu, por exemplo, tenho uma mistura deles ao fazer parte dessa família maravilhosa. Para mim, brincando com as iniciais da respectiva palavra, ser ‘MONITOR’ do Cedejor é ser: Motivador, Organizativo, Normativo, Incentivador, Transcendental, Orientador e Renovador. Não é uma tarefa fácil, mas procuramos sempre fazer o melhor. E os resultados desse trabalho são muito gratificantes, mas não seria completo se não fosse a amizade e o companheirismo entre todos os envolvidos neste processo”.
Nova etapa
Consolidar as conquistas é, na opinião de Fritzen, apenas um dos desafios para os próximos sete anos. “Hoje o Cedejor é referência para uma série de instituições. Isso nos traz uma grande responsabilidade frente a outras organizações que também têm interesse em construir ambientes mais favoráveis para o fomento de novos projetos produtivos dos jovens rurais. Uma outra face da mesma moeda é o ampliar do impacto do Cedejor nos territórios. O PEJR, com todas as suas virtudes, não consegue abarcar todos os jovens de um mesmo território. Estamos pensando em criar novas estratégias, um novo conjunto de serviços que venha atender esse público, com diferentes formas de mobilização e participação, inclusive com outras instâncias de formação”.
Na visão de Sérgio Biron, coordenador do núcleo Centro-Sul do Paraná, a promoção de um verdadeiro “movimento de juventude” é um dos principais motivos da existência do Cedejor. “A promoção desse ‘movimento de juventude’, que luta, entre outras coisas, por mais e melhores políticas públicas, passa mas não se restringe à formação dos jovens do PEJR. Interessa, nesse sentido, também a atuação direta deles nas comunidades, a forma com que retornam a seus territórios e provocam as mudanças.
Eu acredito nisso, que o objetivo da formação é provocar o meio, atingindo, com isso, um público muito maior. Aqui, no Centro-Sul, estamos buscando fazer com que o Centro de Formação seja um verdadeiro espaço de diálogo, um ponto de encontro em que se discute, além da formação dos jovens, as questões da saúde, lazer e, principalmente, cultura. Estamos iniciando um trabalho de resgate e valorização das expressões culturais locais, que está tendo ótima aceitação”.
Para dar conta dessas novas demandas, a busca de outros parceiros e a aumento da presença dos conselheiros comunitários é, segundo Fritzen, fundamental. “Agora, 29 e 30 de julho, inclusive, teremos, em Porto Alegre, um encontro dos presidentes dos Conselhos Comunitários e do Conselho Deliberativo do CEDEJOR para debater, entre outros, esse tema. Acreditamos que os conselhos são espaços essenciais de diálogo e debate, que refletem o real dinamismo dos núcleos. Um conselho ativo significa um núcleo ativo, mais atento a atender às demandas dos territórios. Queremos, cada vez mais, qualificar o trabalho dessas instâncias, estabelecendo um plano de ação conjunto com as atividades desenvolvidas pelos jovens e educadores dos núcleos”.
Conheça mais da história do Cedejor: http://www.cedejor.org.br.
Fuente:
http://www.institutosouzacruz.org.br/onewebms/sites/INS_66NFWQ.nsf/vwPagesWebLive/DO7GUQ4K?opendocument&SID=&DTC=&TMP=1 |
|