Olá!

O Boletim do Projeto Juventudes e Ação Política chega à sua quinta edição e opta por lançar um olhar para a Juventude Rural e Trabalho. Procuramos traçar um panorama do perfil dessa juventude que também é plural, mas que possui em comum algumas carências. Pesquisadores, educadores e jovens contribuíram no delineamento das principais características dessa juventude, que necessita de políticas públicas específicas.

Nesse campo, vamos falar um pouco sobre os principais programas ligados a juventude e trabalho: Pronaf – Jovem, Crédito Fundiário e Nossa Primeira Terra e o Consórcio Social da Juventude Rural.

O jovem rural tem características em comum com o jovem de qualquer outro lugar: mudanças no relacionamento familiar, dúvidas, ansiedades, o futuro profissional se desenhando. Embora a população de baixa renda tenha dificuldades de acesso e oportunidades a educação, saúde, lazer, cultura e trabalho, quando observamos esses quadros com os olhos voltados para a juventude do campo, nos deparamos com uma realidade ainda mais dramática.

Faltam escolas com ensino contextualizado com a realidade do campo, faltam opções de formação técnica, emprego, condições dignas de saneamento e saúde, ambientes para lazer e cultura, bibliotecas, cinema. Diante de tantas carências e do apelo tão freqüente da mídia, a mostrar os grandes centros urbanos tão repletos de possibilidades, a saída do campo parece, para muitos jovens, a melhor opção para melhoria de vida.

Diante desse contexto, mostra-se urgente a busca de estratégias e caminhos para a construção de políticas públicas que criem condições dignas de sobrevivência no campo, com qualidade de vida e oportunidades para todos.

 

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O Projeto Juventudes e Ação Política visa contribuir para a discussão, formulação, implementação e acompanhamento de políticas públicas de, com e para as juventudes brasileiras, prioritariamente aquelas dirigidas à juventude rural e à juventude popular urbana.

Nossos objetivos são:

• influenciar, acompanhar e contribuir com as discussões, proposições e desdobramentos referentes às políticas públicas de, com e para juventudes junto às diferentes instâncias nacionais do Poder Público e aos organismos internacionais;
• estimular as organizações privadas que investem ou apóiam projetos de/para jovens a se engajarem nas questões nacionais de políticas públicas de juventudes;
• estimular e apoiar a participação e atuação de jovens e organizações juvenis nas diferentes instâncias de discussão, formulação e implantação de políticas públicas de juventudes;
• mobilizar e ampliar a compreensão da sociedade em geral e dos meios de comunicação em particular, a fim de criar ambiência para que as políticas públicas de juventudes entrem nas agendas institucionais e na agenda social do País.

Para concretizar essas metas nos articulamos numa parceria que hoje conta com a participação do Instituto Aliança, CIPÓ - Comunicação Interativa, Ágere, Rede Sou de Atitude e com apoio da Fundação Avina. Nossa intenção é incrementar essa rede de modo a ampliar o impacto do Projeto, e neste sentido estamos abertos a novas iniciativas e apoios.

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De acordo com o Censo de 2000, dos 34 milhões de jovens no Brasil, 17% vivem no meio rural (31% nas regiões metropolitanas e 52% em áreas urbanas). Esses jovens campesinos estão menos representados nos livros didáticos, nos meios de comunicação, e carregam nos ombros os estereótipos de serem matutos, ingênuos, e a necessidade constante de abandonar a sua terra para tentar a mudança de destino nos centros urbanos.

Os números revelam a concentração da população juvenil no meio urbano e a menor visibilidade que os jovens do meio rural foram ganhando a partir da expansão e explosão das áreas urbanas. De acordo com a pesquisa Políticas Públicas de /com/ para Juventude www.unesco.org.br, realizada pela Unesco, a partir da década de 70, os jovens rurais foram passando por um processo de transformação significativo, caracterizado, entre outros fatores, pela influência da cultura urbana moderna na constituição da identidade deles e pelo êxodo cada vez mais obrigatório.
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O PNPE - Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego -, realizado pelo Governo Federal por meio do Ministério do Trabalho e Emprego www.mte.gov.br, objetiva desenvolver uma série de ações para gerar empregos e preparar os jovens para sua entrada no mundo do trabalho. O programa está estruturado em diferentes linhas de ação e, dentre elas, estão os Consórcios Sociais da Juventude, que cumprem o papel de formar os jovens, por meio de organizações da sociedade civil, e realizar parcerias com o empresariado para contratação desses jovens. Um pouco mais recente é o modelo de Consórcio Social da Juventude Rural, que atende às demandas dos jovens do meio rural e está estruturado na perspectiva de motivar esse segmento juvenil a ver a terra como forma de garantir o seu sustento e sua renda.

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Possibilitar ao jovem rural brasileiro a realização do sonho de ter a própria terra, além do financiamento do projeto produtivo e apoio à inovação tecnológica para formação de agricultores-experimentadores, assistência técnica e capacitação. Esse é o ideal do Nossa Primeira Terra, que é realizado dentro do Programa Nacional de Crédito Fundiário, desenvolvido pela Secretaria de Reordenamento Agrário do Ministério de Desenvolvimento Agrário – MDA - www.mda.gov.br a partir de um processo de consulta e discussão com os movimentos sociais e representações dos trabalhadores e trabalhadoras rurais.

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Para o desenvolvimento rural, é preciso também fortalecer a agricultura familiar e o agricultor familiar/empreendedor. No campo, a família é uma importante célula de produção, na qual a gestão e o trabalho são realizados pelos seus membros. Partindo dessa pequena produção familiar, ocorre a geração de renda e absorção dessa força de trabalho numa escala que é responsável por números significativos na produção agrícola brasileira. Pensando em apoiar esses agricultores familiares foi criado pelo Governo Federal o Pronaf - Programa Nacional do Fortalecimento da Agricultura Familiar - coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, por meio da Secretaria da Agricultura Familiar, e administrado pelo BNDES.

 
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Daiane Andrade, 19 anos
Coordenadora do Coletivo Regional de Juventude e Participação Social de Tucano

   
 
   
Edisônia Moreira, 22 anos
Coordenadora do Coletivo Regional de Juventude e Participação Social de Quixabeira – BA
   
 
   
Juvanda Santos, 21 anos
Coordenadora do Coletivo de Jovens de Valente – semi-árido baiano

 
   

Maria Elenice Anastácio, 27anos Coordenadora da Comissão de Juventude do Consórcio Social da Juventude Rural “Rita Quadros"


 
   


Eugênio Peixoto
Secretário de Reordenamento Agrário do Ministério de Desenvolvimento Agrário

 
   
Nazaré Wanderley
Professora e colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE – Universidade Federal de Pernambuco

 
   
Francisco Dantas
Coordenador da Formação de Jovens Agentes de Desenvolvimento
Local do SERTA

 

 
Maurício Antunes Tavares
Sociólogo, doutorando em Sociologia na UFPE – Universidade Federal de Pernambuco